RADIALISTAS

Farra do certificado na TV Cultura

 

A Comissão de Funcionários da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (Funtec) denunciou no último post que a direção da emissora havia distribuído certificados para dezenas de pessoas com o objetivo de tentar fazer com que as mesmas conseguissem o registro profissional de radialista para poder participar do concurso público ora em andamento. Essa denúncia foi baseada em informações que chegaram às mãos dessa Comissão. Para provar que a direção da TV Cultura realmente fez o que fez, é que estamos publicando cópia de um dos certificados que vai assinado pela chefe do Departamento de Recursos Humanos, Cleice Mara de Araújo, e pelo diretor de Produção e Programação, Bean Jackson Nascimento.

 

 

Observe atentamente a cópia do certificado e veja que a data de emissão do documento é recentíssima. Omitimos o nome e a função do beneficiado ou da beneficiada para que não sofra represália.

 

Por que só agora, na hora do concurso, que a direção da Funtec resolveu promover esse enxame de expedição de certificados? Se a atual diretoria estivesse preocupada com o futuro profissional dos funcionários já teria regularizado a situação desse pessoal.

Queremos ratificar para todos os leitores deste blog que o que é denunciado neste espaço não são inverdades, como a direção da Funtec tenta dizer pelos corredores da empresa. O que é dito aqui pode ser provado, seja com documentos, seja com testemunhas. Portanto, nenhuma tentativa de intimidação vai nos calar.

Pena que a Justiça do nosso Estado esteja realmente com as vendas nos olhos, pois se estivesse de olhos bem abertos aberrações como essas nunca jamais aconteceriam. Nem os protagonistas estariam à vontade para fazer o que bem entendem.



Escrito por comissão às 14h58
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TV CULTURA

Concurso público segue aos trancos e barrancos com irregularidades

 

O Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), órgão vinculado ao governo do Estado que está organizando o concurso público da TV Cultura, divulgou nesta terça-feira (20) a estatística das inscrições para o certame. De acordo com o documento, 5.866 pessoas se inscreveram para disputar 140 vagas em vários cargos, entre jornalistas, radialistas, contadores, motoristas, administrativos e serviços gerais.

 

O movimento SOS TV Cultura, por meio deste blog, vem alertando a sociedade e autoridades sobre a forma como este concurso vem ocorrendo. Tudo para que as pessoas incautas não sejam ludibriadas nem fiquem frustradas com essa perspectiva de vida. Ao contrário do que muitos pensam, o movimento não é contra a realização de concurso público para a emissora, mas do jeito que o certame está sendo feito só nos resta protestar. Defendemos um concurso limpo, coerente, sério, que respeite a legislação das profissões envolvidas.

 

A divulgação da estatística dos inscritos vem comprovar que a coisa está sendo feita de maneira torta. Primeiro, feriram a legislação tanto dos radialistas quanto dos jornalistas. Em relação aos radialistas, em muitas funções não foi exigido o registro profissional. A direção da emissora criou ainda uma outra função que não está contemplada na Lei 6.615/78, que regulamenta a profissão de radialista: auxiliar de operações.

 

Esta função, por exigir apenas o ensino fundamental e ter o valor de inscrição de R$ 40,00, teve o maior número de inscritos: 2.698, para um total de 11 vagas oferecidas. Ademais, a maioria dos inscritos nem sabe o que faz um auxiliar de operações, apesar de o edital descrever as atividades típicas de tal função. Porém, as atividades típicas caracterizam a função como sendo privativas de radialista.

 

Aliás, essa função foi criada com o intuito de burlar o concurso. Explica-se. A intenção da atual direção da Funtec era realizar o concurso público para tentar ‘limpar’ o quadro atual de funcionários e renová-lo com os aprovados. Ao perceber que para a área técnica não haveria profissionais suficientes, a direção criou mecanismos esdrúxulos com o objetivo de suprir esse problema. Daí saiu a ideia de criar uma função que não existe na legislação dos radialistas.

 

Outra genialidade da direção foi distribuir certificado para alguns funcionários que não tinham registro profissional de radialista atestando que os mesmos estão aptos a atuar como radialistas – tais funcionários são aqueles que entraram na emissora para realizar serviços em outros setores, como administrativo, motoristas, serviços gerais e, principalmente, uma leva de comissionados que entrou recentemente na emissora, por apadrinhamento, sem qualquer experiência em televisão e que quer se perpetuar no serviço público.

 

Em relação à estatística das inscrições, não houve nenhum inscrito na função de operador de caracteres, quando são oferecidas três vagas. Já para operador de câmera de vídeo, apenas quatro pessoas se inscreveram, mas são oferecidas seis vagas. Vê-se que há uma deficiência no preenchimento de vagas dessas duas funções. Como a direção da TV Cultura pretende resolver esse problema? Será que a saída vai ser praticar o desvio de função como hoje ocorre?

 

Quanto à legislação dos jornalistas, o concurso também não respeita a lei. No edital, foi exigido desse profissional ensino superior completo com registro na DRT e/ou experiência de dois anos na função. Aqui, não foi especificado se o ensino superior é em jornalismo, portanto qualquer outro profissional poderia se inscrever para concorrer a essa função. Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter votado pelo fim do diploma superior de jornalista, o acórdão dessa decisão ainda não foi publicado. Portanto, o que prevalece é a lei em vigor; é preciso do diploma de jornalista para o exercício da profissão.

Como se vê, o concurso público da TV Cultura está indo aos trancos e barrancos. A direção da Funtec não teve a mínima preocupação em elaborar um certame que estivesse dentro da legalidade – apesar do diretor-presidente afirmar aos quatro cantos que é legalista. Os exames do concurso podem até ocorrer no dia 1º de novembro, mas o certame será contestado na justiça. É ver para crer!



Escrito por comissão às 23h28
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